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quarta-feira, 17 de maio de 2023

POSIÇÃO (26/01/1937)

 

Esclarecimento: A publicação do Artigo abaixo só foi possível graças a generosa colaboração do Prof. Paulo Fernando, conhecido Líder Pró-Vida, profundo pesquisador da História do Brasil, possuidor da maior Pliniana existente, que nos permitiu o acesso a sua Hemeroteca; e, atualmente, é Deputado Federal pelo Distrito Federal.  Aos que desejarem conhecer mais o trabalho do Prof. Paulo Fernando indicamos: https://www.instagram.com/paulofernandodf/

POSIÇÃO (26/01/1937)

Plínio Salgado

Em silêncio e alerta. Firmes com a nossa doutrina, indiferentes à sorte dos homens. Indiferentes à nossa própria sorte. Que será o dia de amanhã? Isso é o que menos nos preocupa, porque o "amanhã" já nos pertence, ninguém nô-lo arrancará das mãos. Custou-nos una obra de cultura, um esforço como jamais se fez, um sacrifício de todas as possibilidades de triunfos efêmeros. E o sangue dos nossos mártires.

O dia de "amanhã", para nós, integralistas, é a grande árvore que já está plantada no espírito de uma juventude e no coração dos humildes. Essa árvore germinou, cresceu, porque a Primavera era chegada. Ninguém pode evitar essa Primavera: como haverá alguém que evite o outono com seus frutos?

Essa obra, que temos realizado, de educação constante, não mais perecerá. Temos ensinado às criancinhas a lição da bondade e do amor de Deus e da Pátria; temos ensinado aos moços a lição da virtude, da castidade, da severidade, da saúde do corpo e do espírito, a higiene física e moral, a bravura, a fé, a esperança, a alegria; temos ensinado aos tristes, aos melancólicos, aos displicentes, aos céticos, a lição dos júbilos Interiores que provém das energias da consciência e das forças imortais do coração; temos ensinado nos que envelhecem a arte de envelhecer com dignidade, impondo-se ao respeito; temos ensinado aos fracos a lição da fortaleza, aos revoltados a lição do otimismo criador.

Tudo isto é tão grande, que os que nos observam de fora, dos arraiais da política vigente, não podem compreender. Para eles, ou somos um partido politico, igual aos outros, pronto a fazer um conchavo em nosso benefício, ou somos uma conspiração, com objetivos terroristas.

E nós não somos, apesar de estarmos registrados como partido, nós não somos nem um partido, nem uma conspiração.

Somos uma escola e somos um recrutamento de almas. Somos uma atitude, somos uma decisão. Mas, principalmente, nós somos um "ato de consciência".

Um ato de consciência! Compreendeis o que significam estas palavras? Só podereis compreender quando vos surpreenderdes integrados nesse estado de espírito, nesse fenômeno de psicologia social sem precedentes na História Brasileira.

Um simpatizante nunca poderá entender bem "isto" que se passa em nossas fileiras, senão depois que se deixa absorver pelo sentido de vida do nosso Movimento.

Cada um dos que vestem hoje a camisa-verde sabe muito bem porque digo estas coisas. Cada um sentiu a transformação porque passou. Desde o dia em que, abandonando a atitude de mero espectador simpático, tornou-se um integralista, começou a ver as coisas de um modo diferente.

É que até mesmo a colocação dos problemas obedece, no Integralismo, a um critério completamente novo. O Integralismo, tenho dito às inteligências mais esclarecidas, é um methodo. Sendo uma filosofia, sendo uma norma moral, sendo uma política na alta acepção do vocábulo, determina uma concepção de método. Esse método só o apreende quem se deixou penetrar pela mística do Movimento.

Sim; porque somos também uma mística. Sabemos que todos os grandes empreendimentos humanos só se tornam possíveis mediante o misticismo que lhes é próprio.

Não se confunda, porém, o misticismo dos homens ativos com o misticismo dos homens contemplativos. Nós somos principalmente, homens ativos. Homens em ação. Homens com um objetivo predeterminado. E sabemos que o ferro, o aço, os metais rígidos não se trabalham a banho-maria. É preciso o fogo vivo, o fogo de altos fornos. E esse fogo é a nossa mística.

Foi sob a ação desse fogo que se realizaram os grandes movimentos na História. Uma Nação que se tornára abúlica não se poderia curar a banhos mornos.

Esta mística funde a liga de metais heterogêneos e possibiliza a depuração dos elementos nobres. Todo resíduo miserável de uma época é rejeitado. Todos os vícios são expurgados, Chamam a isso "a nossa Intransigência". Nós chamamos isso "a nossa dignidade".

Dignidade do Pensamento. Dignidade da Consciência. Dignidade do Coração. Dignidade das resoluções retilíneas. Dignidade das atitudes viris. Em suma: fidelidade ao Espírito.

Como poderão compreender-nos os que não consideram o que há em nós de Espírito? Pois se o Espírito é tudo, como poderemos traí-lo, com transigências e acomodações?

Haverá alguém cujo poder, cujo fascínio, cujas promessas, cuja amizade, cujas ameaças, cujas perseguições consigam de nós a traição de nós mesmos?

Imaginai um cristão em Roma, chamado a colaborar com os Césares, numa combinação em que aos adeptos do Nazareno fosse facultada a liberdade do seu culto, e ao Império a manutenção dos ídolos e dos costumes pagãos.

Essa hipótese é a nossa hipótese. Estamos convencidos de que deveremos dar combate ao materialismo que nos esmaga, nos sufoca, nos desfibra, nos torna oportunistas, comodistas, politiqueiros, enquanto o bárbaro prepara os seus golpes na sombra. Desde que nos alimenta essa convicção, como poderemos acreditar na palavra daqueles que se dizem pactuantes com os nossos sagrados propósitos e pretendem, ao mesmo tempo, compactuar com os "quirites" idólatras, cuja licenciosidade de costumes e cuja hipocrisia e violência contra as tradições da República são evidentes e proclamadas?

Estamos, pois, em silêncio e alerta. Em observação. Ao intelectualismo de um Trajano, à magnanimidade de um Tito, à filosofia de um Marco Aurélio, preferimos a adesão integral de Constantino.

Não temos pressa, não temos ambição, não nos movem Interesses, não nos seduzem vantagens, não nos amedronta a ameaça, não nos apavora o Futuro, não tememos o dia de Amanhã, não nos perturba o dia de Hoje.

Penetrados pela "razão de Estado", e, multo mais, pelas "razões de Deus", não odiamos nenhum inimigo, mas também não amamos nenhum amigo. Submetidos a uma doutrina, pugnamos por ela. Entregues a uma obra de educação, a uma obra de vigilância, de preservação, de preparo das gerações vindouras, caminhamos serenamente, tranquilamente.

Facílimo é conquistar-nos. Basta que o brasileiro disposto a isso deixe-se conquistar por nós. Esta conquista não é pessoal, porque é espiritual.

Quantos homens eminentes nos têm conquistado! Há dias, foi Rocha Vaz, foi Motta Maia; há tempos, Belisario Penna, Amaro Lanari, Lucio dos Santos; anteriormente Souza Dantas, Gustavo Barroso. É olhar para os grandes vultos do Integralismo. Ainda ontem, presidindo a uma sessão conjunta do Supremo Conselho, do Secretariado, da Câmara dos Quarenta, eu via diante de mim homens cujo valor honraria qualquer país, E esses homens conquistaram-nos, a nós, integralistas. Cientistas, escritores, militares, professores, profissionais ilustres, cuja projeção era grande no Brasil, aprenderam o caminho desta conquista fácil. Quando julgaram que estavam conquistados, nós, camisas-verdes, É que estávamos conquistados por eles. Pela sua atitude, que demonstrou renovação espiritual; pelo seu desassombro, pelo seu desinteresse, pela sua humildade.

Tudo isso explica a nossa situação na política nacional. Define a nossa posição.

Quando, algum tempo, neste país, se viu uma posição assim, uma atitude semelhante, tamanha serenidade, tamanha dignidade num silêncio?

Algum dia a História do nosso Brasil há de contemplar, maravilhada, este formidável perfil de cordilheira moral, cuja altitude não pode ser avaliada de perto.

E os netos dos que vestem hoje a camisa verde exclamarão cheios de santo orgulho nacional: meu avô foi um deles: E é por isso que somos uma Grande Nação.

Porque, na verdade - e sirva este pensamento de lição aos poucos atentos – o espírito de uma Pátria não se fabrica como os "cock-tails”, com misturas varias, sacudidas no recipiente fechado da política, mas extrai-se com a poderosa energia de um pensamento, a força de um sentimento e o fogo imortal de uma mística.

Publicado originalmente n’A OFFENSIVA, em 26 de Janeiro de 1937.

quinta-feira, 23 de março de 2023

A QUESTÃO DO PETRÓLEO (06/03/1936)

 

Esclarecimento: A publicação do Artigo abaixo só foi possível graças a generosa colaboração do Prof. Paulo Fernando, conhecido Líder Pró-Vida, profundo pesquisador da História do Brasil, possuidor da maior Pliniana existente, que nos permitiu o acesso a sua Hemeroteca; e, atualmente, é Deputado Federal pelo Distrito Federal.  Aos que desejarem conhecer mais o trabalho do Prof. Paulo Fernando indicamos: https://www.instagram.com/paulofernandodf/

 

A QUESTÃO DO PETRÓLEO (06/03/1936)

PLÍNIO SALGADO

“Politique d’abord!”- exclamou Charles Maurras referindo-se a todos os problemas de ordem social e econômica, decorrentes do regime liberal-democrático.

Essa exclamação é de uma clareza meridiana. Nenhum problema poderá ser resolvido si se não resolver preliminarmente o problema político.

Nós, integralistas, entendemos que a nossa única e absorvente questão no momento brasileiro é a solução do problema político. No meio da anarquia, não teremos administração. No meio da luta dos partidos, não teremos autoridade nacional. Não havendo autoridade nacional, teremos de assistir indefinidamente a luta de particulares, defendendo seus pontos de vista, seus interesses pessoais ou de grupos financeiros organizados.

No prefácio de um livro sobre o petróleo, um escritor brasileiro, apaixonado louvavelmente pela questão do petróleo, afirma que os seus patrícios vivem como idiotas, preocupados com LIBERALISMO, COMUNISMO, PATRIONOVISMO, INTEGRALISMO, ANARQUISMO, quando deveriam só se preocupar com o petróleo.

Isso, em bom português, significa, mais ou menos, o seguinte: “O dinheiro é uma coisa muito boa; só nos devemos preocupar com o dinheiro; estamos amarrados por uma corrente de ferro, a um poste; não devemos, porém, preocupar-nos em cortar a corrente, o dinheiro está ali, a vinte metros; é pensar nele e não na corrente que nos prende”.

Esquematicamente, é esse o raciocínio do escritor. Ora, ninguém contesta que o seu entusiasmo pelo petróleo é muito justo. Todos nós sabemos que, pelo menos, durante estes próximos trinta anos, o petróleo ainda valerá muito, uma vez que estamos ainda tão atrasados, que ainda não nos utilizamos de outras fontes de energia. Ninguém dirá o contrário do que afirma o escritor em questão, no tocante à necessidade que temos de descobrir o petróleo. Ninguém, de bom senso, também afirmará que no Brasil não há petróleo. Todos nós sabemos que há e estamos de acordo com ilustre literato: é preciso furar o chão brasileiro.

Nós, integralistas, porém, de há muito nos convencemos de que, no estado atual de coisas, não se resolverá, de modo definitivo, nenhum problema de ordem prática, Haverá sempre os interesses de terceiros influindo na administração, no governo, Travar-se-á a luta entre grupos adversários, à revelia do governo. O povo brasileiro jamais seria beneficiado.

Enquanto não tivermos o Estado Forte, o Estado Soberano, o Estado Capaz, o Estado Responsável, é inútil pretender a solução de problemas dessa natureza.

Estamos com Charles Maurras. Preliminarmente o problema politico: em seguida, os problemas de administração, de técnica.

E estamos de pleno acordo com o escritor que prefaciou o livro sobre a questão do petróleo, quanto à importância do assunto, que é fundamental. Não negamos que exista petróleo no Brasil,

Dizer, porém, que o petróleo é o único problema é subordinar a tese ao seu corolário. Lamentamos que o literato a que me referi não conheça coisa alguma do nosso sistema econômico, não tenha nenhuma vaga noção de economia integralista, sobre à qual publicamos já alguns livros. Si ele tivesse ciência da nossa doutrina econômica, financeira, social e política, não escreveria o que escreveu.

A OFFENSIVA, a respeito do petróleo, abriu um inquérito. Enquanto o Integralismo não é governo, deseja que todos os interessados em matéria de petróleo falem livremente, o que será sempre útil ao país.

Não tomamos partido. Não temos nem predileções, nem interesses. Queremos que o Brasil resolva essa momentosa questão. Sabemos que não será possível com a situação política atual.

Nunca sairemos da discussão estéril, entre interessados e amadores.

O inquérito que este jornal abriu visa, principalmente, focalizar tão importante problema.

Todos devem ser ouvidos. Não apenas os de uma determinada corrente, mas todos os técnicos, todos os versados em matéria de tão alta relevância.

Que ninguém veja na atitude de A OFFENSIVA um compromisso, que seria indigno à nossa orientação de órgão político, ao modo de pensar desta ou daquela facção de técnicos do petróleo. Que todos compreendam, entretanto, o interesse que pomos no debate de um assunto ligado profundamente à economia nacional.

Um assunto de tamanha relevância, como é o do petróleo, deve despertar todas as atenções e mobilizar todas as competências.

É o que esperamos, contando ouvir as opiniões mais contrastantes, em debate franco, esclarecedor, que terá, pelo menos, a vantagem de chamar à atenção do povo brasileiro para um dos mais graves problemas da sua economia.

Publicado no A OFFENSIVA em 06 de Março de 1936.

sábado, 9 de abril de 2022

O PROBLEMA DAS DÍVIDAS EXTERNAS (1936)

Esclarecimento: A publicação do Artigo abaixo só foi possível graças a generosa colaboração do Prof. Paulo Fernando Melo, conhecido Líder Pró-Vida e possuidor da maior Pliniana existente, que nos permitiu o acesso a sua Hemeroteca. Aos que desejarem conhecer mais o trabalho do Prof. Paulo Fernando indicamos: https://paulofernando.com.br

O Artigo foi publicado originalmente no “A Offensiva”, em 05 de Fevereiro de 1936.

O PROBLEMA DAS DÍVIDAS EXTERNAS
PLÍNIO SALGADO 

O sr. Assis Chateaubriand, mentalidade brilhante porém viciada no método unilateral do raciocínio liberal-democrático, fez cavalo de batalha, pelas colunas de “O Jornal” e do “Diário de São Paulo”, a propósito da contradição em que diz ter apanhado um editorial da A OFFENSIVA e os pontos de vista do Sr. Marcos de Souza Dantas a propósito das nossa dívidas externas. 

O que é preciso, nesse caso ou em qualquer outro, é não considerar os fatos isoladamente, mas concatená-los, apreendendo o sentido lógico de cada um, ligado ao sentido geral de um a atitude. É preciso também distinguir as situações (a liberal-democrática vigente e a integralista que se aproxima) e, dentro da lógica de cada uma dessas situações, analisar, e compreender as atitudes e críticas oriundas de circunstancias especiais. Cumpre ainda, para se seguir um método rigoroso e interpretação dos fatos, distinguir o que é “doutrina” do que é a sua aplicação. Tudo isso compreende a mentalidade modesta de qualquer camisa verde, por mais humilde que seja, mas não pode compreender a inteligência brilhante de um homem habituado às unilateralidades da crítica liberal-democrática. 

Eu me encontrava sexta-feira em Belo Horizonte, de onde, segundo o “Diário da Noite”, do sr. Chateaubriand, teria saído precipitadamente por insinuação da polícia, como revolucionário perigoso (fato que o digno chefe de Polícia da capital mineira desmentiu de maneira categórica), quando a A OFFENSIVA estampou o artigo em torno do qual o diretor d
os “associados” está fazendo a sua tempestadezinha. 

Neste caso do artigo contra o Sr. Juracy Magalhães, pelo fato de ter o governador da Bahia suspendido o pagamento das dívidas do Estado, lendo-o, submeti-o à lógica do regime vigente e não me inquietei, em absoluto.

No manifesto programa com que o Integralismo vai pleitear eleições municipais, estaduais e as presidenciais da República, está claro o meu pensamento sobre as dívidas externas, pensamento, aliás, que coincide perfeitamente com o do Sr. Marcos de Souza Dantas. 

É preciso ter-se em vista que o Sr. Chateaubriand, de propósito,tem deturpado o próprio pensamento do sr. Marcos de Souza Dantas. Este nosso companheiro não é partidário do calote. O que ele quer é, exatamente, o que está estampado no meu manifesto programa, no art. 4º, capítulo 2º, em que escrevi:
“Revisar os contratos dos empréstimos públicos e dívidas dos Estados, nacionais e internacionais, promovendo-se a liquidação sem sacrifício da economia brasileira, nem dos interesses legítimos do comércio importador e exportador, observados os interesses legítimos de justiça, o direito de vida da Nação, a dignidade da Pátria e desenvolvimento das trocas de mercadorias com o exterior”. 

Este sempre foi o pensamento do sr. Marcos de Souza Dantas e este pensamento coincide com o do Integralismo, razão pela qual aquele nosso companheiro vestiu a camisa verde. 

Ora, o artigo da a AOFFENSIVA que, à primeira vista, pode causar estranheza, basta analisá-lo e verificar-se-á que ele foi escrito dentro da lógica, do regime vigente e até com muita precisão e oportunidade. 

Não é o sr. Juracy Magalhães, na Bahia, um adversário franco do Integralismo? Não se tornou aquele governador, ao qual devo, aliás, as maiores atenções e gentilezas pessoais, um perseguidor implacável dos camisas verdes baianos? Pois então, como assume uma atitude que fere de morte os princípios liberais-democráticos que ele defende? 

O Integralismo é, sobretudo, a doutrina que pretende restaurar, no Brasil, uma coisa que se diz muito comum, porém, que é muito rara: o senso comum. 

Vivemos em continuas contradições, a propósito de tudo. 

O Integralismo não pretende entrar no país como o macaco em loja de louças. 

Preliminarmente: o problema das dívidas externas tem de ser resolvido em conjunto e não isoladamente, em cada Estado; segundo: o Integralismo, antes de tudo, como está claro no seu manifesto programa, quer “realizar os contratos”, quer estudá-los atentamente para, em seguida, “promover a sua liquidação, sem sacrifício da economia brasileira, do comércio importador e exportador, etc.”; terceiro: dentro do regime liberal-democrático, do espírito jurídico que o orienta, é um verdadeiro absurdo qualquer medida da natureza da que tomou o governador da Bahia. 

Nestas condições continuamos dentro da nossa doutrina e em perfeito acordo com ela está o nosso companheiro Marcos de Souza Dantas. 

Aliás, o sentido que quiseram emprestar à entrevista do sr. Marcos de Souza Dantas, foi por este categoricamente desmentido em nosso número de ontem, com esclarecimentos precisos, que colocam este assunto nos seus devidos termos. 

Foi, portanto, inútil mais esta manobra dos “Diários Associados”, assim como as largas considerações em que se perdeu o sr. Assis Chateaubriand, pretendendo criar uma crise no Integralismo, coisa tão impossível e absurda que desafiamos todos os liberais-democratas com seu exército de jornalistas e seu aparelhamento de agências telegráficas para conseguirem provocá-la. 

Continuamos, como acentuou o companheiro Souza Dantas, coerentes com a nossa doutrina que é a constante do manifesto programa que lancei há dias. 

Não faço, como afirmou o sr. Chateaubriand, uma campanha contra os banqueiros internacionais por simples humorismo. Continuamos firmes e perseverantes na linha de doutrina e de conduta que nos traçamos, apenas, cada vez mais maravilhados diante das incoerências dos liberais-democratas como o sr. Juracy Magalhães, e os sofismas do sr. Chateaubriand.